{"id":588,"date":"2021-09-13T10:54:49","date_gmt":"2021-09-13T13:54:49","guid":{"rendered":"https:\/\/bmmlaw.adv.br\/?p=588"},"modified":"2021-09-13T10:54:49","modified_gmt":"2021-09-13T13:54:49","slug":"justica-derruba-calculo-de-itbi-com-base-em-pesquisa-de-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bmmlaw.adv.br\/en\/justica-derruba-calculo-de-itbi-com-base-em-pesquisa-de-mercado\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a derruba c\u00e1lculo de ITBI com base em pesquisa de mercado"},"content":{"rendered":"<p>Compradores de im\u00f3veis t\u00eam conseguido, na Justi\u00e7a, mudar o crit\u00e9rio da Prefeitura de S\u00e3o Paulo para calcular o Imposto de Transmiss\u00e3o de Bens Im\u00f3veis (ITBI). A busca pelo Judici\u00e1rio vem se tornando frequente desde a crise no mercado imobili\u00e1rio \u2013 que colocou em pr\u00e1tica uma antiga f\u00f3rmula de c\u00e1lculo do imposto, mais ben\u00e9fica para a arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto outras cidades do pa\u00eds usam como base o valor venal do im\u00f3vel (o mesmo que serve ao IPTU) ou o da transa\u00e7\u00e3o de compra e venda, na capital paulista existe um m\u00e9todo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>O munic\u00edpio prev\u00ea duas formas ao c\u00e1lculo do ITBI: uma porcentagem do valor da negocia\u00e7\u00e3o \u2013 assim como em outras cidades \u2013 ou o chamado valor venal de refer\u00eancia. Esse \u00edndice, o VVR, \u00e9 determinado pela prefeitura com base em pesquisa de mercado e sem data pr\u00e9-definida para a atualiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vale o que estiver mais alto no momento em que o neg\u00f3cio for fechado. E como os pre\u00e7os dos im\u00f3veis est\u00e3o reduzidos \u2013 em fun\u00e7\u00e3o, principalmente, da baixa demanda \u2013 o valor venal de refer\u00eancia tem se destacado.<\/p>\n<p>Em um dos casos levados para o Judici\u00e1rio, que trata da compra de im\u00f3vel no bairro Butant\u00e3, o valor da transa\u00e7\u00e3o foi de R$ 1,2 milh\u00e3o, enquanto que o VVR estava fixado em R$ 2,1 milh\u00f5es. E essa diferen\u00e7a fez quase que dobrar o que deveria ser recolhido como imposto.<\/p>\n<p>Tem de ser destinado ao ITBI 3% do total. Nesse caso, se levado em considera\u00e7\u00e3o o valor da compra, deveriam ser pagos R$ 36 mil como imposto. Mas como a base utilizada foi a do VVR, a quantia acabou ultrapassando os R$ 65 mil.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o semelhante envolveu a compra de im\u00f3vel na regi\u00e3o dos Jardins. O valor da transa\u00e7\u00e3o foi de R$ 2,6 milh\u00f5es e o VVR estava fixado em R$ 4 milh\u00f5es. O imposto que pelo c\u00e1lculo tradicional seria de R$ 79,5 mil, passou para R$ 120 mil.<\/p>\n<p>A advogada Mar\u00edlia de Prince Rasi Faustino, do escrit\u00f3rio Zilveti Advogados, ingressou recentemente com quatro a\u00e7\u00f5es desse tipo na Justi\u00e7a e obteve decis\u00e3o favor\u00e1vel em todas elas. &#8220;O primeiro cliente que atendemos fez todas as cota\u00e7\u00f5es no come\u00e7o da negocia\u00e7\u00e3o. Tr\u00eas meses depois, quando ele foi fechar a compra, percebeu que o valor do imposto havia dobrado. Ningu\u00e9m sabe ao certo como e nem quando essas atualiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas pela prefeitura&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Os ju\u00edzes v\u00eam entendendo que n\u00e3o h\u00e1 base legal para o chamado VVR. &#8220;Afronta ao disposto nos artigos 150 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e 97 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional&#8221;, conforme as decis\u00f5es. Para os magistrados, o ITBI deveria ser composto pelo valor da negocia\u00e7\u00e3o ou pelo valor venal, que consta na planta de valores gen\u00e9ricos do munic\u00edpio e serve de refer\u00eancia ao IPTU.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre o VVR gerou muito burburinho na \u00e9poca em que foi institu\u00eddo \u2013 em 2005, por meio do Decreto Municipal n\u00ba 46.228. &#8220;\u00c9 algo que s\u00f3 existe em S\u00e3o Paulo&#8221;, destaca a advogada Vanessa Campos de Almeida, do escrit\u00f3rio Viseu Advogados. Ela afirma que ao comprador do im\u00f3vel n\u00e3o h\u00e1 sequer a chance de escolher uma ou outra op\u00e7\u00e3o de base de c\u00e1lculo. A guia de recolhimento do imposto \u00e9 acessada pelo site da prefeitura e o sistema \u00e9 quem gera o valor a ser pago.<\/p>\n<p>O \u00d3rg\u00e3o Especial do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJ-SP) j\u00e1 se manifestou sobre o VVR ao julgar um Incidente de Inconstitucionalidade. Os desembargadores decidiram, na \u00e9poca, que o valor venal de refer\u00eancia deveria servir ao munic\u00edpio &#8220;apenas como par\u00e2metro de verifica\u00e7\u00e3o da compatibilidade do pre\u00e7o declarado de venda, n\u00e3o podendo se prestar para pr\u00e9via fixa\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do ITBI&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar da decis\u00e3o, a prefeitura nunca retirou o VVR do c\u00e1lculo do imposto, cuja arrecada\u00e7\u00e3o foi de R$ 1,75 bilh\u00e3o em 2016. &#8220;E esses valores s\u00e3o fixados sem que exista crit\u00e9rio objetivo. Pelo decreto, por exemplo, a prefeitura deveria basear o valor do metro quadrado em relat\u00f3rios enviados pelas imobili\u00e1rias. Mas n\u00e3o h\u00e1 publicidade disso&#8221;, aponta Marcus Vinicius Kikunaga, da Comiss\u00e3o de Estudos de Direito Imobili\u00e1rio do Instituto dos Advogados de S\u00e3o Paulo (Iasp).<\/p>\n<p>Subsecret\u00e1rio da Receita Municipal, Pedro Ivo G\u00e2ndra diz que a atualiza\u00e7\u00e3o do VVR \u00e9 feita a partir de consultas de amostras do mercado (como o \u00edndice Fipezap, uma parceria entre a Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe) e o site de im\u00f3veis Zap) e que ocorre conforme as oscila\u00e7\u00f5es do mercado. &#8220;Pode ser semestralmente, anualmente. Depende de como o mercado est\u00e1 se comportando.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo G\u00e2ndra, mais de 70% das transa\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias t\u00eam valores mais altos do que o VVR. Para os casos de distor\u00e7\u00f5es, diz, h\u00e1 uma divis\u00e3o interna na secretaria para avalia\u00e7\u00f5es especiais, onde o contribuinte pode apresentar a sua demanda e ter o valor do imposto reduzido (se for o caso, ap\u00f3s a an\u00e1lise).<\/p>\n<p>&#8220;Todo o trabalho \u00e9 feito de forma a evitar que se extrapole o valor de mercado. Mas, como em qualquer m\u00e9todo estat\u00edstico, podem haver algumas distor\u00e7\u00f5es. Estamos falando de uma cidade como S\u00e3o Paulo, onde existem 3,3 milh\u00f5es de im\u00f3veis&#8221;, pondera o subsecret\u00e1rio da Receita Municipal.<\/p>\n<p>Pedro Ivo G\u00e2ndra acrescenta que est\u00e1 sendo implementada pela prefeitura a &#8220;declara\u00e7\u00e3o de transa\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias&#8221;. A partir de agosto, as imobili\u00e1rias de S\u00e3o Paulo ter\u00e3o que informar mensalmente sobre todas as transa\u00e7\u00f5es, de venda e alugueis, feitas em S\u00e3o Paulo. Essa declara\u00e7\u00e3o foi institu\u00edda pelo decreto de 2005 \u2013 o mesmo que criou o VVR \u2013 e est\u00e1 sendo agora institu\u00eddo por meio de portaria.<\/p>\n<p>Segundo G\u00e2ndra, as informa\u00e7\u00f5es ser\u00e3o usadas para compor a base de amostras do VVR e tamb\u00e9m de subs\u00eddio \u00e0s an\u00e1lises dos pedidos de contribuintes para a redu\u00e7\u00e3o do imposto.<\/p>\n<p>Joice Bacelo &#8211; De S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p><em>Fonte:<\/em>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.valor.com.br\/legislacao\/5010128\/justica-derruba-calculo-de-itbi-com-base-em-pesquisa-de-mercado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-cke-saved-href=\"http:\/\/www.valor.com.br\/legislacao\/5010128\/justica-derruba-calculo-de-itbi-com-base-em-pesquisa-de-mercado\">http:\/\/www.valor.com.br\/<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compradores de im\u00f3veis t\u00eam conseguido, na Justi\u00e7a, mudar o crit\u00e9rio da Prefeitura de S\u00e3o Paulo para calcular o Imposto de Transmiss\u00e3o de Bens Im\u00f3veis (ITBI). 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