{"id":799,"date":"2021-09-13T11:58:23","date_gmt":"2021-09-13T14:58:23","guid":{"rendered":"https:\/\/bmmlaw.adv.br\/?p=799"},"modified":"2021-09-13T11:58:23","modified_gmt":"2021-09-13T14:58:23","slug":"uso-de-bicicletas-e-patinetes-por-empregados-traz-riscos-as-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bmmlaw.adv.br\/en\/uso-de-bicicletas-e-patinetes-por-empregados-traz-riscos-as-empresas\/","title":{"rendered":"Uso de bicicletas e patinetes por empregados traz riscos \u00e0s empresas."},"content":{"rendered":"<p>Solu\u00e7\u00e3o encontrada para escapar do tr\u00e2nsito ca\u00f3tico das grandes capitais e incentivar a vida saud\u00e1vel, o uso de bicicletas e patinetes por trabalhadores pode se tornar uma dor de cabe\u00e7a para as empresas. Seja para ir e voltar do emprego ou durante a jornada &#8211; para se deslocar a uma reuni\u00e3o. O sinal de alerta soou com a revoga\u00e7\u00e3o das penalidades previstas para infra\u00e7\u00f5es cometidas por ciclistas no C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro. A medida aumenta o perigo de acidentes, elevando o risco de responsabiliza\u00e7\u00e3o e pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por empregadores.<\/p>\n<p>A possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o de multas a ciclistas acabou no in\u00edcio de mar\u00e7o, por meio da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 772, do Conselho Nacional de Tr\u00e2nsito (Contran). A edi\u00e7\u00e3o da norma veio tr\u00eas meses depois de o governo paulista publicar o Decreto n\u00ba 63.881, que regulamentou o Plano Ciclovi\u00e1rio do Estado de S\u00e3o Paulo para a expans\u00e3o e conectividade da rede de ciclovias e ciclofaixas.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi editada em um momento em que h\u00e1 crescimento no n\u00famero de acidentes fatais com bicicletas. Em 2018, de acordo com o Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Gerenciais de Acidentes de Tr\u00e2nsito do Estado de S\u00e3o Paulo, foram registrados 393. Em 2015, 301. S\u00f3 em janeiro e fevereiro deste ano foram 58. N\u00e3o h\u00e1 dados sobre patinetes &#8211; que podem trafegar em ciclovias e ciclofaixas com velocidade de at\u00e9 20 Km\/h.<\/p>\n<p>O advogado Fabio Medeiros, do escrit\u00f3rio Lobo de Rizzo, estranhou a revoga\u00e7\u00e3o das multas pelo Contran. &#8220;A norma era uma regra m\u00ednima para ciclistas e quem anda de patinetes&#8221;, diz. Ele lembra que em caso de acidente durante uma visita a um cliente, por exemplo, a responsabilidade ser\u00e1 do empregador. &#8220;O funcion\u00e1rio usar\u00e1 mais o plano de sa\u00fade corporativo e ainda ficar\u00e1 com a garantia de emprego por um ano.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Medeiros, especialista em direito previdenci\u00e1rio, as consultas de empresas a respeito de como lidar com a nova pr\u00e1tica ainda s\u00e3o poucas, mas come\u00e7aram. &#8220;As empresas n\u00e3o podem proibir o uso desses modais, mas os funcion\u00e1rios t\u00eam que ser treinados e saber o que fazer em caso de atropelamento de um pedestre, por exemplo&#8221;, afirma. Para ele, pelo menos algumas regras para o uso de bicicletas e patinetes durante a jornada de trabalho podem ser combinadas por meio de uma pol\u00edtica da empresa.<\/p>\n<p>&#8220;A quest\u00e3o \u00e9 t\u00e3o nova que ainda n\u00e3o chegou para a gente, mas certamente vai chegar&#8221;, diz o procurador Marcelo Freire Sampaio Costa, do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) em S\u00e3o Paulo. De acordo com ele, se o ve\u00edculo \u00e9 fornecido pela empresa, seu uso est\u00e1 obviamente ligado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de trabalho e, assim, a responsabilidade por um eventual acidente \u00e9 do empregador. &#8220;Mas a culpa pode ser exclusiva do empregado em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Se ele andar sem capacete, por exemplo, em plena Marginal Pinheiros&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Se a empresa achar arriscado, pode impedir o uso de bicicleta e patinete e obrigar o funcion\u00e1rio a pegar o transporte p\u00fablico tradicional, segundo a advogada Juliana Bracks, do escrit\u00f3rio Bracks Advogados Associados. &#8220;A justificativa pode ser o risco no entorno da regi\u00e3o, o hor\u00e1rio de entrada ou sa\u00edda do trabalhador, ou mesmo a quantidade de acidentes na regi\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Juliana afirma ainda que se o trabalhador pediu vale-transporte e se acidentar com o uso de patinete ou bicicleta para ir ou voltar do trabalho, pode ser acusado de fraude. &#8220;Mas se n\u00e3o receber o vale-transporte, ser\u00e1 caracterizado acidente de trajeto. A reforma trabalhista excluiu da legisla\u00e7\u00e3o as horas in itinere [deslocamento], mas n\u00e3o o acidente de trajeto&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A especialista em direito do trabalho explica que o acidente de trajeto n\u00e3o gera responsabilidade civil para as companhias &#8211; o que as levariam a ter que arcar com indeniza\u00e7\u00e3o por danos causados a terceiros. &#8220;A n\u00e3o ser que a empresa ofere\u00e7a o meio de transporte para o trabalhador, como um \u00f4nibus fretado.&#8221; Por\u00e9m, ela confirma o impacto previdenci\u00e1rio. &#8220;Se o funcion\u00e1rio ficar mais de 15 dias afastado, deve receber o aux\u00edlio acident\u00e1rio e tem 12 meses de estabilidade no emprego, a contar da alta m\u00e9dica.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 o que indicam as poucas decis\u00f5es judiciais sobre o assunto. Em outubro, por exemplo, a 2\u00aa Turma do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2\u00aa Regi\u00e3o (S\u00e3o Paulo) analisou o caso de um trabalhador que, ao voltar para casa, ap\u00f3s cumprir jornada de trabalho da 1h \u00e0s 7h, sofreu uma queda da bicicleta. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 culpa da empregadora no acidente, ainda que este tenha decorrido do trajeto de ida e volta para a empresa&#8221;, disse a desembargadora S\u00f4nia Maria Forster do Amaral.<\/p>\n<p>Segundo a magistrada, com base na Lei n\u00ba 8.213, de 1991, a equipara\u00e7\u00e3o do acidente de trajeto com o de trabalho \u00e9 restrita para a concess\u00e3o dos benef\u00edcios previdenci\u00e1rios, n\u00e3o alcan\u00e7ando os direitos e obriga\u00e7\u00f5es entre empregados e empresa. H\u00e1 decis\u00f5es favor\u00e1veis e contr\u00e1rias aos trabalhadores, mas n\u00e3o foram encontrados precedentes judiciais referentes a patinetes.<\/p>\n<p>Para garantir a seguran\u00e7a de usu\u00e1rios de patinetes, a empresa de sistemas de compartilhamento desses modais Tembici conta com promotores para demonstrar a import\u00e2ncia do uso do capacete &#8211; que tamb\u00e9m \u00e9 oferecido. &#8220;No pr\u00f3prio patinete h\u00e1 um cart\u00e3o impresso com dicas de seguran\u00e7a&#8221;, afirma a empresa por nota. A Tembici conta ainda com uma seguradora que protege a empresa e seus usu\u00e1rios em casos de danos materiais e corporais causados a terceiros.<\/p>\n<p>&#8220;Eu mesmo vou para reuni\u00f5es de bicicleta e conhe\u00e7o outros advogados que usam&#8221;, afirma o advogado trabalhista Daniel Chiode, do escrit\u00f3rio Chiode Minicucci. Para ele, se o acidente acontece durante o hor\u00e1rio de trabalho e a empresa n\u00e3o tem uma pol\u00edtica para restringir o uso desse tipo de transporte nem fornece equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, pode ser responsabilizada. &#8220;O risco \u00e9 presumido&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Chiode afirma que j\u00e1 recebeu consultas de empresas para saber se pro\u00edbem ou toleram o uso desses ve\u00edculos. &#8220;Para se protegerem, as empresas t\u00eam que ser mais ativas, fornecer equipamentos de prote\u00e7\u00e3o e orientar sobre os riscos&#8221;, afirma. &#8220;Ou podem determinar que v\u00e1 de t\u00e1xi [para uma reuni\u00e3o]. Se o empregado optar por usar outro meio de transporte, o empregador estar\u00e1 isento de responsabilidade.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Solu\u00e7\u00e3o encontrada para escapar do tr\u00e2nsito ca\u00f3tico das grandes capitais e incentivar a vida saud\u00e1vel, o uso de bicicletas e patinetes por trabalhadores pode se tornar uma dor de cabe\u00e7a para as empresas. Seja para ir e voltar do emprego ou durante a jornada &#8211; para se deslocar a uma reuni\u00e3o. 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